
Há fotografias que registram um instante. Outras, porém, parecem aprisionar o tempo.
Esta fotografia, feita pelo fotógrafo Kaio Felipe, na beira-mar, pertence a essa segunda espécie. Nela, não está apenas uma bailarina diante do mar. Está uma história inteira acontecendo entre o céu, o sol, a água e a luz silenciosa de um lampião.
O dia parece estar se despedindo.
No horizonte, o sol desce lentamente, como se soubesse que também há beleza em partir. Espalha sobre o céu uma pintura de tons dourados, alaranjados e avermelhados. As nuvens, iluminadas pelos últimos raios, parecem pinceladas de um artista que não aceita deixar o quadro inacabado.
E, diante de tudo isso, surge o lampião.
Ele permanece firme, antigo, quase solitário, como um guardião da paisagem. Sua luz acesa parece desafiar o próprio sol: enquanto um se despede, o outro começa a iluminar. É como se a fotografia tivesse encontrado um diálogo entre duas luzes a do dia que termina.
Roberto Franklin Falcão da Costa é Vice-Presidente da Academia Ludovicense de Letras, ocupando a Cadeira Nº 40, Patroneada por José Ribamar S. dos Reis.