
O dia começa com o sopro morno do vento que vem do mar. Sobre o mureto de pedra rústica, uma xícara de café fumegante estampa dois peixes azuis, testemunhas silenciosas do horizonte que se desdobra lá embaixo. A imensidão verde-acinzentada da baía parece respirar no mesmo ritmo das ondas que batem suavemente na encosta.
A câmera desliza e descobre o refúgio: uma casa de fachada vermelha vibrante, aninhada entre coqueiros e o verde exuberante da vegetação tropical. O silêncio aqui não é ausência de som, mas a presença da paz. É o chilrear dos pássaros, o farfalhar das folhas e o balanço suave de uma rede que aguarda na varanda espaçosa.
Por entre os pilares de tijolos à vista, o interior da casa revela um diálogo constante entre o rústico e o aconchegante. A sala, com suas paredes de pedra e vigas de madeira escura no teto, convida ao descanso. A luz natural entra generosa pelas portas de vidro e janelas quadriculadas, iluminando obras de arte singelas, flores frescas e o caminho que leva à cozinha o coração da casa, onde o aroma do café ainda paira no ar.
Mais do que um lugar, o vídeo revela um estado de espírito. É a materialização daquele instante em que o tempo desacelera, permitindo que a vida seja saboreada sem pressa, entre goles de café, a brisa do oceano e o calor de um lar abraçado pela natureza.
Roberto Franklin Falcão da Costa é Vice-Presidente da Academia Ludovicense de Letras, ocupando a Cadeira Nº 40, Patroneada por José Ribamar S. dos Reis.