
Ao Tempo, pergunto:
— O que representaste para mim?
Ele ficou em silêncio,
como quem conhece todas as respostas,
mas espera que eu mesmo as descubra.
Então, entre lembranças e silêncios,
voltei os olhos para o caminho percorrido
e encontrei aquilo que o tempo deixou:
o amadurecimento,
as dores que não esqueci,
os abandonos, as desilusões,
os amores intensos,
os encontros e desencontros,
as angústias transformadas em cicatrizes.
Foi então que o Tempo respondeu:
— Fui tua escola e tua estrada.
Fui aquilo que te ensinou a compreender a vida.
Moldei teus dias,
mudei teus passos
e, pouco a pouco,
fiz de ti quem hoje és.
— Não lamentes o que passou.
Aprende a agradecer.
Cada instante vivido te construiu.
Cada lágrima deixou um ensinamento.
Cada dor te tornou mais forte.
Cada perda mostrou o valor daquilo que permaneceu.
Cada queda ensinou-te a levantar.
E compreendi, enfim,
que o Tempo nunca esteve contra mim.
Ele apenas seguia seu caminho,
levando consigo o que precisava partir
e deixando em minhas mãos
as lembranças que mereciam ficar.
Talvez, sem tudo o que vivi,
eu não fosse quem me tornei.
Talvez não tivesse aprendido
que algumas feridas também ensinam,
que algumas despedidas libertam
e que a vida, mesmo marcada por dores,
sempre encontra um jeito de continuar.
Por isso, hoje,
não pergunto mais ao Tempo
porque tantas coisas aconteceram.
Apenas lhe agradeço.
Porque foi ele,
com suas marcas, seus silêncios e suas lições,
quem me trouxe até aqui.
E, olhando para trás,
compreendo:
não sou apenas o que o tempo levou;
sou, sobretudo,
aquilo que ele deixou em mim.
Roberto Franklin Falcão da Costa é Vice-Presidente da Academia Ludovicense de Letras
Cadeira Nº 40, tendo como Patrono: José Ribamar S. dos Reis