E se… por Roberto Franklin Falcão da Costa
Há duas palavras que parecem pequenas, quase insignificantes. Mas poucas têm tanto poder quanto elas: “e se…”Talvez sejam as duas palavras que mais acompanham a humanidade desde o início dos tempos. Elas estão presentes nas grandes descobertas, nos grandes amores, nas decisões que mudaram destinos e, infelizmente, também nos arrependimentos.
Quantas vezes, ao longo da vida, me peguei pensando: e se eu tivesse escolhido outro caminho? E se tivesse dito aquela palavra? E se tivesse permanecido em silêncio? E se tivesse ido? E se não tivesse ido?
O curioso é que o “e se” tanto pode construir quanto aprisionar.
Foi um “e se” que levou homens a atravessar oceanos, cientistas a desafiar o impossível e artistas a criar obras que atravessaram séculos. Alguém um dia perguntou: “E se existisse uma maneira diferente de fazer isso?” E o mundo mudou.
Mas existe também o outro lado.
Há pessoas que vivem presas ao passado. Carregam uma mala cheia de “e ses”. E se eu tivesse estudado mais? E se tivesse aceitado aquele emprego? E se não tivesse terminado aquele relacionamento? E se tivesse dito “eu te amo” um pouco mais cedo?
Com o passar dos anos, fui aprendendo que o passado não aceita correções. Ele apenas nos oferece lições. O futuro, sim, ainda está em branco.
Hoje, quando o “e se” bate à porta da minha consciência, procuro transformá-lo em outra pergunta.
Em vez de perguntar “e se eu tivesse feito?”, prefiro perguntar: “e se eu fizer agora?”
Porque enquanto existe vida, existe oportunidade. Enquanto respiramos, ainda podemos pedir perdão, agradecer, recomeçar, aprender, abraçar alguém, visitar um amigo, realizar um sonho antigo ou simplesmente mudar a direção da caminhada.
O tempo ensina que o maior peso não costuma ser o das derrotas. É o das tentativas que nunca aconteceram.
Não sabemos quantos capítulos ainda restam da nossa história. Mas sabemos que cada novo amanhecer nos entrega uma página em branco.
Por isso, decidi fazer as pazes com o “e se”.
Que ele deixe de ser a lembrança do que não vivi e passe a ser o convite para aquilo que ainda posso viver.
Porque, no fim das contas, a vida pertence menos aos que têm todas as respostas e muito mais aos que ainda têm coragem de perguntar:
E se… hoje fosse o melhor dia para começar?
Roberto Franklin Falcão da Costa é Vice-Presidente da Academia Ludovicense de Letras
Cadeira Nº 40
Patrono: José Ribamar S. dos Reis