Fran Paxeco, o Intelectual que Salvou Memórias, por Leopoldo Vaz

Passados 74 anos de sua morte, Fran Paxeco (1874-1952) permanece como uma das figuras mais importantes e menos lembradas da história cultural luso-brasileira. Jornalista, diplomata, professor e escritor de notável vigor intelectual, publicou mais de 70 obras e construiu pontes duradouras entre Portugal, Maranhão e Pará.

Mas seu legado vai além da produção literária. Em um período marcado por exclusões e silenciamentos, Paxeco foi um dos raros intelectuais a reconhecer e valorizar a importância de Maria Firmina dos Reis, pioneira da literatura abolicionista brasileira e primeira romancista negra do país. Seu olhar crítico ajudou a preservar a memória de uma autora que a história oficial insistia em relegar ao esquecimento.

Não por acaso, sua paixão pelos livros materializou-se na Biblioteca Fran Paxeco, em Belém, um dos mais valiosos acervos de língua portuguesa da Amazônia.

Recordar Fran Paxeco não é apenas homenagear um homem de letras. É reconhecer o papel daqueles que dedicam a vida a salvar memórias, recuperar vozes apagadas e desafiar os esquecimentos da história. Em tempos de memória breve, seu exemplo continua atual: tão importante quanto criar obras é garantir que elas não desapareçam.

Setenta e quatro anos depois, Fran Paxeco permanece vivo nas páginas que escreveu e, sobretudo, nas páginas que ajudou a salvar.

Leopoldo Gil Dulcio Vaz é professor de Educação Física e membro da Academia Ludovicense de Letras, ocupando a cadeira 21, tendo como Patrono Manuel Fran Pacheco.