A história da evangelização da Ilha de Upaon-Açú, por Leopoldo Vaz

Acima, o autor e o altar da Igreja, no Vinhais Velho.

A história da evangelização da Ilha de Upaon-Açú, atual Ilha de São Luís, confunde-se com a própria formação do Maranhão. Desde os primeiros anos do século XVII, missionários capuchinhos, jesuítas e outros religiosos percorreram aldeias indígenas, povoados e núcleos coloniais, lançando os fundamentos da fé católica que moldaria a identidade religiosa da região.

Vinhais: um dos Berços da Evangelização da Ilha
Ao recordar os 414 anos da primeira missa celebrada em Uçaguaba – 20 de Outubro 1612 – , hoje Vinhais Velho, é necessário reconhecer a singular importância desse lugar na história da Igreja maranhense.
 Quando os capuchinhos chegaram à segunda maior aldeia
indígena da Ilha de Upaon-Açú, encontraram um povo organizado, uma cultura sólida e um espaço que já possuía relevância estratégica desde a instalação da feitoria de Miganville, em 1594. Ali construíram uma modesta capela de taipa e palha, sinal da presença cristã e da esperança de estabelecer uma missão permanente.
 Séculos antes de muitos dos atuais bairros de São Luís sequer existirem, Vinhais já possuía vida comunitária, atividade religiosa e importância histórica. Foi aldeia indígena, missão evangelizad
ora, vila pombalina e posteriormente distrito da capital.

Por essa razão, a Paróquia de São João Batista de Vinhais não representa apenas uma divisão eclesiástica. Ela é depositária de uma memória que atravessa mais de quatro séculos de história, reunindo em suas origens a herança indígena, a ação missionária, aformação da sociedade maranhense e a permanência da fé cristã.

A paróquia é formada por cinco comunidades eclesiais oficialmente relacionadas pela Arquidiocese:
 1.    Comunidade São João Batista (Matriz)
 2.    Comunidade Santa Luzia
 3.    Comunidade Santa Terezinha
 4.    Comunidade Nossa Senhora de Fátima
 5.    Comuni
dade Nossa Senhora Aparecida
 6.    Comunidade Divino Pai Eterno

Pode-se afirmar que a paróquia abrange principalmente a região do Vinhais Velho, Recanto dos Vinhais e áreas adjacentes do eixo do Vinhais. Por integrar a Forania São Luís Rei de França, suas vizinhas são as demais paróquias da região:
 •    Paróquia São Fr
ancisco de Assis (Vinhais)
 •    Paróquia Sagrado Coração de Jesus (Bequimão)
 •    Paróquia Santo Antônio de Pádua (Cohajap/Cohaserma)
 •    Paróquia São Paulo Apóstolo (Renascença)
 •    Paróquia São Maximiliano Kolbe (região do Cohatrac)
 •    Paróquia Nossa
Senhora Aparecida da Foz do Rio Anil

Herdeiras dessa tradição

Uma Reflexão para a Celebração-Celebrar Vinhais Velho é celebrar as raízes mais profundas da Ilha de São Luís. É reconhecer que, antes dos grandes templos, das avenidas e dos bairros modernos, existia uma pequena capela de palha erguida por homens e mulheres que acreditavam na força da fé e da comunidade.
 Por isso, ao recordar os 414 anos da primeira missa em Uçaguaba, rendemos homenagem aos povos indígenas que primeiro habitaram estas terras, aos missionários que anunciaram o Evangelho, e às gerações que m
antiveram viva a chama da fé.
 Vinhais Velho não é apenas um lugar da história. É um lugar de memória, identidade e esperança. Um dos mais antigos berços da evangelização da Ilha de Upaon-Açu e patrimônio espiritual do povo maranhense.

Leopoldo Gil Dulcio Vaz é professor de Educação Física e membro da Academia Ludovicense de Letras, ocupando a cadeira 21, tendo como Patrono Manuel Fran Pacheco.