
Quando a política me faz lembrar o futebol.
Existem coisas que o tempo não apaga. E, às vezes, basta assistir a determinados acontecimentos para que a memória nos leve de volta a um passado que parecia distante, mas que, de repente, ganha uma impressionante atualidade.
Foi o que aconteceu comigo ao acompanhar os últimos acontecimentos destas eleições.
Voltei aos tempos em que nossos times maranhenses viajavam para disputar partidas em outros estados. Eu gostava de acompanhar o futebol e me lembro de situações que, ainda hoje, me arrancam um sorriso de incredulidade.
Imaginem a cena: nosso time estava em campo, jogando fora de casa, e começava a surpreender o adversário. O jogo esquentava, a vitória parecia possível e a torcida começava a acreditar. De repente, como num passe de mágica, apagavam-se as luzes do estádio!
Pronto! Acabava o jogo, pelo menos por algum tempo.
Os jogadores esperavam, a torcida reclamava, e a iluminação só voltava depois de uma hora, às vezes uma hora e pouco. Quando tudo parecia resolvido, a partida podia continuar.
Pois bem, meus amigos, diante do que estamos vendo nestas eleições, não pude deixar de recordar aqueles episódios.
A prorrogação de duas horas depois do horário previsto para o encerramento da votação me trouxe à memória aquela velha história do futebol: quando o jogo chega ao momento decisivo, alguma coisa acontece e a partida não termina como todos esperavam.
Convenhamos: a comparação é irresistível!
É claro que futebol é futebol e eleição é eleição. Não estou afirmando que houve fraude, porque uma suspeita não é uma prova. Mas tenho o direito de questionar, de estranhar e de exigir explicações transparentes quando decisões dessa importância provocam dúvidas na população.
E é justamente aí que entra minha inquietação.
Vivemos num país em que o cidadão comum precisa respeitar as leis, cumprir seus deveres e aceitar as regras do jogo. Mas também precisa ter a certeza de que essas regras valem para todos, sem privilégios, sem improvisações suspeitas e sem decisões que alimentem a desconfiança.
Quando o assunto é política, porém, parece que a paciência do brasileiro está sendo submetida a uma prova interminável.
E o PT, que continua sendo o principal adversário político de quem pensa como eu, está no centro das minhas críticas. Não escondo minhas convicções nem tenho motivo para disfarçar minha posição.
Também questiono o papel das instituições, inclusive do Supremo Tribunal Federal, e espero de seus integrantes a imparcialidade, a transparência e o respeito que a democracia exige. Afinal, nenhuma instituição está acima da obrigação de prestar contas à sociedade.
O que não podemos é transformar a desconfiança em condenação sem provas. Mas também não podemos exigir que o cidadão feche os olhos diante de tudo aquilo que lhe parece estranho.
Democracia não é apenas contar votos. É garantir que o eleitor confie nas regras, no processo e nas instituições responsáveis por conduzi-lo.
E aqui volto ao meu velho estádio.
Naquele tempo, quando nossos times maranhenses jogavam fora de casa e as luzes se apagavam, eu ficava imaginando o que aconteceria quando a iluminação voltasse. O jogo continuaria? O placar seria mantido? Tudo terminaria como deveria?
Hoje, diante da política brasileira, a sensação que me fica é parecida. Só que, desta vez, não estou falando de futebol, de jogadores ou de um campeonato qualquer. Estou falando do futuro do meu país.
E, como brasileiro, tenho o direito de querer respostas.
Não quero que minha torcida política determine o resultado. Quero que as regras sejam respeitadas, que os votos sejam tratados com seriedade e que ninguém precise ficar imaginando o que aconteceu enquanto as luzes estavam apagadas.
Porque uma coisa aprendi ao longo da vida: a pior escuridão não é aquela que apaga as luzes de um estádio, mas aquela que impede o cidadão de enxergar com clareza o que acontece em seu próprio país.
E termino com uma pergunta, daquelas que não precisam de VAR para serem feitas:
Será que o jogo terminou mesmo ou ainda estamos esperando alguém acender as luzes para descobrir o que aconteceu?
Roberto Franklin Falcão da Costa é Vice-Presidente da Academia Ludovicense de Letras, ocupando a Cadeira Nº 40, Patroneada por José Ribamar S. dos Reis.




