
O fim de tarde chega devagar, quase em silêncio, como quem não quer interromper a beleza do dia. O céu, coberto por nuvens que passam lentamente, parece pintar uma tela em movimento. Entre elas, o sol se despede, espalhando seus últimos raios pelo horizonte, como se quisesse deixar uma lembrança antes de partir.
O dia finda.
E eu, deitado na minha rede, balanço suavemente, acompanhando com os olhos aquela despedida. Não tenho pressa. Há momentos em que a melhor coisa que podemos fazer é simplesmente parar e contemplar.
Ao longe, o canto dos pássaros anuncia que também eles percebem a chegada da noite. Seus sons se misturam ao silêncio da tarde, formando uma música que não precisa de instrumentos.
A rede balança…
E, enquanto ela vai e volta, meus pensamentos também viajam. Passam pelas lembranças, pelas pessoas que amo, pelos momentos vividos e por tudo aquilo que o tempo guardou dentro de mim.
Talvez seja essa a beleza do fim de tarde: ele nos ensina que todo dia termina, mas nunca termina vazio. Sempre deixa alguma coisa — uma lembrança, uma saudade, uma esperança ou simplesmente a paz de ter vivido mais um dia.
O sol desaparece atrás das nuvens.
Os pássaros silenciam aos poucos.
A noite começa a chegar.
E eu continuo na minha rede, embalado pelo vento e pelos pensamentos, agradecendo à vida por mais um dia que se vai… e por outro que, amanhã, certamente nascerá.
Roberto Franklin Falcão da Costa é Vice-Presidente da Academia Ludovicense de Letras, ocupando a Cadeira Nº 40, Patroneada por José Ribamar S. dos Reis.