Fim de Tarde, por Roberto Franklin

O fim de tarde chega devagar, quase em silêncio, como quem não quer interromper a beleza do dia. O céu, coberto por nuvens que passam lentamente, parece pintar uma tela em movimento. Entre elas, o sol se despede, espalhando seus últimos raios pelo horizonte, como se quisesse deixar uma lembrança antes de partir.

O dia finda.

E eu, deitado na minha rede, balanço suavemente, acompanhando com os olhos aquela despedida. Não tenho pressa. Há momentos em que a melhor coisa que podemos fazer é simplesmente parar e contemplar.

Ao longe, o canto dos pássaros anuncia que também eles percebem a chegada da noite. Seus sons se misturam ao silêncio da tarde, formando uma música que não precisa de instrumentos.

A rede balança…

E, enquanto ela vai e volta, meus pensamentos também viajam. Passam pelas lembranças, pelas pessoas que amo, pelos momentos vividos e por tudo aquilo que o tempo guardou dentro de mim.

Talvez seja essa a beleza do fim de tarde: ele nos ensina que todo dia termina, mas nunca termina vazio. Sempre deixa alguma coisa — uma lembrança, uma saudade, uma esperança ou simplesmente a paz de ter vivido mais um dia.

O sol desaparece atrás das nuvens.

Os pássaros silenciam aos poucos.

A noite começa a chegar.

E eu continuo na minha rede, embalado pelo vento e pelos pensamentos, agradecendo à vida por mais um dia que se vai… e por outro que, amanhã, certamente nascerá.

Roberto Franklin Falcão da Costa é Vice-Presidente da Academia Ludovicense de Letras, ocupando a Cadeira Nº 40, Patroneada por José Ribamar S. dos Reis.