
Eu me lembro de como o Brasil parecia naquela época. Havia um sentimento no ar que era difícil explicar. Era como se as pessoas estivessem cansadas de ouvir as mesmas promessas, de assistir às mesmas cenas e de esperar por mudanças que nunca chegavam.
Eu também sentia isso.
Foi nesse Brasil inquieto que Bolsonaro apareceu. E, de repente, as conversas mudaram. Política, que muitas vezes parecia assunto distante, passou a fazer parte da nossa mesa, das reuniões de família, das conversas entre amigos.
Eu percebia que alguma coisa estava acontecendo.
Pessoas que nunca tinham falado de política começaram a discutir. Pessoas que nunca haviam levantado uma bandeira passaram a colocá-la na janela de casa. O verde e o amarelo começaram a aparecer pelas ruas, nos carros, nas roupas, nos pequenos detalhes do cotidiano.
E aquilo me chamava atenção.
Não era apenas sobre um homem ocupando a Presidência. Era sobre um sentimento que havia crescido dentro de muita gente: o desejo de ver um Brasil diferente.
Eu via naquele movimento uma vontade de resgatar valores que, para muitos, pareciam esquecidos: família, fé, liberdade, patriotismo e respeito pelas escolhas individuais.
É claro que também vieram as discussões. Vieram os conflitos, as decepções, os exageros e as divergências. Muitas amizades foram abaladas por causa de política. Famílias passaram a pensar diferente e, algumas vezes, deixaram de conversar justamente por aquilo que mais deveria nos aproximar: o respeito.
Eu mesma aprendi que política não é apenas sobre candidatos. É sobre pessoas. Pessoas que têm histórias, medos, esperanças e convicções diferentes.
Mas, olhando para trás, uma coisa permanece muito viva na minha memória: o Brasil mudou de cara.
Mudou a maneira como as pessoas falavam de política. Mudou a forma como muitos passaram a enxergar a bandeira brasileira. Mudou a coragem de alguns em dizer aquilo que pensavam.
E talvez seja isso que mais me marcou.
Eu não vejo aquele período apenas como uma página da política brasileira. Vejo como um pedaço da minha própria história, da história de tantas pessoas que, naquele momento, acreditaram que era possível fazer diferente.
Pode-se concordar ou discordar de Bolsonaro. O tempo certamente continuará julgando seus acertos e seus erros.
Mas ninguém pode apagar o que aquele período despertou em milhões de brasileiros.
Eu me lembro daquele Brasil.
Um Brasil inquieto.
Um Brasil dividido.
Um Brasil cheio de esperança e também de medo.
Um Brasil que discutia, que brigava, que se emocionava e que, acima de tudo, queria ser ouvido.
E talvez seja por isso que, quando penso naquela época, uma frase me vem à cabeça:
Na era Bolsonaro, o Brasil não apenas mudou de governo. O Brasil mudou de cara.
Roberto Franklin Falcão da Costa é Vice-Presidente da Academia Ludovicense de Letras, ocupando a Cadeira Nº 40, Patroneada por José Ribamar S. dos Reis.




