Quando o amor basta, por Roberto Franklin

Há uma frase que me acompanha há muitos anos. Não sei onde a ouvi pela primeira vez. Talvez em um filme, talvez em um livro, talvez numa conversa entre amigos. Ela dizia: “As mulheres não precisam ser compreendidas; precisam ser amadas.”
Durante muito tempo procurei descobrir o verdadeiro significado dessas palavras. Hoje, depois de uma vida inteira dividida com a mesma mulher, acredito que finalmente encontrei a resposta.
O amor não nasce da compreensão absoluta. Nasce do encanto.
Ninguém conhece por completo o coração de quem ama. Há jardins secretos que nem o tempo consegue revelar. Existem lembranças que permanecem guardadas no silêncio, sonhos que jamais são contados e sentimentos que apenas um olhar consegue traduzir.
As mulheres possuem essa beleza misteriosa. São capazes de transformar uma casa em lar, um simples almoço em festa, uma palavra de incentivo em esperança e um abraço em abrigo. Têm a delicadeza das flores e, ao mesmo tempo, a força das árvores que resistem às tempestades.
Quantas vezes um homem procura explicações quando tudo o que ela deseja é apenas sentir que não está sozinha? Quantas vezes tenta responder perguntas que nunca foram feitas, quando bastaria segurar sua mão e permanecer ao seu lado?
O amor tem essa sabedoria silenciosa. Ele compreende sem interrogar, consola sem discursos e cura sem fazer promessas.
Com o passar dos anos, descobri que amar uma mulher é admirá-la todos os dias como se ainda fosse a primeira vez. É perceber a beleza que o tempo não consegue apagar. É apaixonar-se novamente por aquele sorriso conhecido, pela voz que acalma, pelo olhar que tantas vezes enxergou o que ninguém mais via.
O amor verdadeiro não exige perfeição. Ele floresce justamente nas imperfeições. Aprende a conviver com os defeitos, respeita as diferenças e transforma pequenas renúncias em gestos gigantes de felicidade.
Talvez por isso os casamentos duradouros não sobrevivam porque um conhece todos os mistérios do outro. Sobrevivem porque, a cada amanhecer, ambos escolhem amar novamente. O amor deixa de ser apenas sentimento e torna-se decisão, compromisso e gratidão.
Depois de tantos anos caminhando lado a lado, compreendi que jamais conhecerei todos os segredos da mulher que amo. E, sinceramente, nem desejo conhecê-los. Há um encanto especial em descobrir um novo sorriso, uma nova emoção, uma nova forma de carinho, mesmo depois de tantos anos.
Porque o amor perde a poesia quando acredita ter encontrado todas as respostas.
As mulheres não precisam ser decifradas como um enigma. Precisam sentir-se amadas, respeitadas, admiradas e valorizadas. Precisam perceber, nos pequenos gestos, que continuam sendo únicas no coração de quem as escolheu.
No fim das contas, o verdadeiro amor não pergunta quem tem razão. Ele apenas aproxima duas mãos, une dois corações e faz da caminhada da vida uma história escrita a quatro mãos.
E talvez seja esse o maior segredo dos grandes amores: eles não sobrevivem porque um compreendeu completamente o outro. Sobrevivem porque nunca deixaram de se amar.
Afinal, quando o amor é sincero, ele transforma o cotidiano em eternidade, o simples em extraordinário e dois corações em uma única história de vida.

Roberto Franklin Falcão da Costa é Vice-Presidente da Academia Ludovicense de Letras
Cadeira Nº 40
Patrono: José Ribamar S. dos Reis

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