O homem e o amanhecer, por Roberto Franklin

Há amanheceres que apenas anunciam um novo dia. Outros, porém, parecem revelar uma lição de vida.
Naquela manhã, enquanto caminhava pela Litorânea, vi o sol travar uma batalha silenciosa contra um imenso paredão de nuvens. Por alguns instantes, parecia vencido. Sua luz surgia apenas como um pequeno fragmento dourado, tímido, quase engolido pela escuridão. Mas o sol conhece um segredo que poucos homens aprendem: ele nunca desiste de nascer.
Mesmo escondido, continuava iluminando o céu. Seu reflexo desenhava um caminho de ouro sobre a areia molhada, provando que a verdadeira grandeza não depende de estar completamente visível. Basta existir para transformar tudo ao redor.
Enquanto observava aquela cena, percebi que ela se parecia muito comigo.
A vida também me apresentou nuvens espessas. Houve dias de perdas, despedidas e desafios que pareciam impedir minha caminhada. Houve o tempo de encerrar uma longa carreira na odontologia, de reinventar a rotina, de compreender que algumas portas se fecham para que outras se abram. Em muitos momentos pensei que estava desaparecendo, quando, na verdade, apenas me preparava para iluminar de outra maneira.
Hoje compreendo que não somos definidos pelas sombras que nos cobrem, mas pela luz que insistimos em oferecer.
Assim como o sol dessas fotografias, sigo caminhando. Se antes minhas mãos restauravam sorrisos, hoje minhas palavras procuram despertar sentimentos. Se antes a ciência ocupava meus dias, agora a literatura, a poesia e as crônicas me permitem continuar tocando vidas.
O sol da Litorânea me ensinou que envelhecer não é perder o brilho; é aprender a iluminar com mais serenidade. A intensidade da juventude dá lugar à profundidade da experiência. A pressa transforma-se em contemplação. E a força deixa de estar nos músculos para habitar a alma.
Olhando aquelas imagens, compreendi que existe um pouco de mim naquele amanhecer. Não porque eu seja tão grandioso quanto o sol, mas porque também aprendi que nenhuma nuvem é eterna. Todas passam. E, quando passam, deixam ainda mais evidente a beleza da luz que resistiu.
Talvez seja essa a missão de quem já percorreu uma longa estrada: não disputar espaço com a escuridão, mas continuar iluminando o caminho para aqueles que ainda estão começando a caminhar.
No fim, percebi que o amanhecer não era apenas uma paisagem. Era um espelho. E, refletido naquele horizonte dourado, enxerguei a mais bonita definição da esperança: a certeza de que sempre vale a pena nascer outra vez.

Roberto Franklin Falcão da Costa
Cadeira Nº 40
Patrono: José Ribamar S. dos Reis