O Brasil aprendeu, da forma mais dolorosa, que tradição não marca gols. A história emociona, mas não vence partidas. As cinco estrelas bordadas no peito são motivo de orgulho, porém não intimidam mais adversários que chegam preparados, organizados e convencidos de que podem derrotar qualquer gigante.
O fracasso da Seleção Brasileira na Copa do Mundo não aconteceu apenas nos noventa minutos de um jogo. Ele começou muito antes, quando passamos a acreditar que o talento individual seria suficiente para compensar a falta de um projeto sólido.
Faltou planejamento. Faltou continuidade. Faltou um treinador com tempo para construir uma identidade de jogo. Faltou entender que o futebol moderno exige disciplina tática, intensidade física e espírito coletivo. Hoje, as grandes seleções correm juntas, defendem juntas e atacam juntas. O brilho individual continua importante, mas ele precisa servir ao time, e não o contrário.
Também faltou humildade. O futebol mudou. Países que antes eram considerados apenas coadjuvantes investiram em categorias de base, ciência do esporte, formação de treinadores e gestão profissional. Enquanto eles evoluíam, nós continuávamos presos à lembrança dos dribles de Pelé, Garrincha, Romário, Ronaldo e tantos outros gênios que fizeram do Brasil uma referência mundial.
Não se trata de falta de talento. O Brasil continua produzindo jogadores extraordinários. O que falta é transformar talentos em uma equipe. Um conjunto harmonioso vale mais do que onze grandes nomes espalhados pelo campo.
Talvez tenha faltado também compreender que a camisa amarela representa mais do que um uniforme. Ela carrega os sonhos de milhões de brasileiros. Cada criança que chuta uma bola na rua imagina vestir aquela camisa um dia. Cada torcedor acredita que ali está um pedaço da identidade do nosso povo.
Mas o futebol, como a própria vida, ensina por meio das derrotas. Nenhum fracasso é definitivo quando existe disposição para aprender. As grandes seleções renascem depois de reconhecer seus erros. O Brasil já fez isso outras vezes e pode fazer novamente.
Quem sabe a maior lição desta Copa seja justamente esta: não basta recordar o passado glorioso. É preciso construir o futuro com trabalho, competência, humildade e paixão.
Porque o futebol brasileiro nunca deixou de ter talento. O que lhe faltou foi transformar esse talento em um verdadeiro time.
Roberto Franklin Falcão da Costa
Cadeira Nº 40
Patrono: José Ribamar S. dos Reis