Hoje pela manhã, enquanto tomava meu café, recebi de um amigo um card com uma frase que me fez sorrir:
“Seja feliz! Isso deixa os outros loucos.” Ri da provocação, mas, como acontece com as palavras que carregam mais sabedoria do que aparentam, ela permaneceu comigo durante todo o dia.Enquanto caminhava, fiquei pensando em quantas vezes a felicidade incomoda mais do que o sofrimento. A dor costuma despertar solidariedade; a alegria, por vezes, desperta comparação. É curioso perceber que existem pessoas que vibram sinceramente com nossas conquistas, enquanto outras parecem sentir um inexplicável desconforto diante de um simples sorriso.
Felizmente, a vida também me presenteou com amigos que celebram minhas vitórias como se fossem deles. São pessoas raras, daquelas que tornam a caminhada mais leve, estendem a mão sem interesse e transformam nossa alegria em motivo para agradecer a Deus. Essas amizades são tesouros que o tempo lapida e que o coração aprende a guardar.
Com o passar dos anos, fui descobrindo que a felicidade quase nunca está nos grandes acontecimentos. Ela costuma esconder-se nas pequenas cenas da vida. Está no primeiro raio de sol iluminando a manhã, na caminhada pela Litorânea, no cheiro do café recém-passado, no abraço de quem amamos, na voz de um velho amigo, no carinho dos filhos, na espontaneidade dos netos e no silêncio de uma oração feita com fé.
Essa felicidade não faz alarde. Não precisa ser anunciada nem exibida. Ela simplesmente acontece, como o nascer do sol que, todas as manhãs, vence a escuridão sem fazer qualquer barulho.
A vida também me ensinou que ninguém envelhece sem colecionar saudades. Todos nós carregamos perdas, despedidas e cicatrizes. Mas aprendi que as cicatrizes não diminuem a felicidade; elas apenas nos lembram de que fomos fortes o suficiente para continuar caminhando.
Talvez o verdadeiro segredo seja exatamente esse: não esperar uma vida perfeita, mas agradecer pela vida real que Deus nos concede. Uma vida feita de dias ensolarados e de tempestades, de encontros e despedidas, de lágrimas e sorrisos. Quando compreendemos isso, deixamos de competir com os outros e passamos a buscar apenas uma missão: sermos melhores do que fomos ontem.
Hoje já não sinto necessidade de impressionar ninguém. Quero apenas viver em paz, cultivar boas amizades, amar minha família, escrever aquilo que meu coração dita e agradecer pelas pequenas bênçãos que Deus espalha discretamente em cada amanhecer.
Se a minha felicidade incomodar alguém, que assim seja. Nunca a utilizarei como demonstração de superioridade, mas também não permitirei que a amargura alheia apague a luz que Deus acendeu dentro de mim.
No fim da caminhada, não serão os bens acumulados nem os aplausos recebidos que darão sentido à nossa existência. O que permanecerá será o amor que oferecemos, a esperança que despertamos e a paz que deixamos no coração daqueles que cruzaram o nosso caminho.
Por isso, continuo acreditando que vale a pena ser feliz. Não para despertar inveja, muito menos para provocar quem quer que seja. Vale a pena ser feliz porque a vida é breve, porque cada amanhecer é um presente de Deus e porque uma alma serena tem o dom de iluminar, silenciosamente, a vida de todos que caminham ao seu lado.
Roberto Franklin Falcão da Costa
Cadeira Nº 40
Patrono: José Ribamar S. dos Reis