
O Banquete do Agora
A vida, quando a gente olha de perto, não passa de uma imensa mesa posta. Há dias em que o cardápio nos serve iguarias doces, repletas de calmaria; noutros, o prato vem morno, rotineiro, exigindo paciência. Mas, por mais que o menu varie, há uma regra invisível que rege o salão: na mesa da vida, alegria nunca falta. O que falta, muitas vezes, é a nossa disposição para sentar e puxar a cadeira.
Sentar-se à mesa exige coragem para o banquete cotidiano. Não basta apenas mastigar os dias no piloto automático; é preciso tempero. E que fique claro: o tempero da vida não é a calmaria absoluta, mas aquele toque de picante, a pitada de ousadia que arde de leve na língua e desperta os sentidos. É o imprevisto que tira a gente da mesmice, a risada alta que ecoa no meio de um assunto sério, o abraço apertado sem data comemorativa.
Junte a isso um punhado generoso de sorrisos — aqueles autênticos, que enrugam os cantos dos olhos — e algo mágico acontece. É nesse exato cruzamento entre o sabor vibrante do mundo e a leveza de quem sabe rir das próprias quedas que a mágica se opera: a alma se alinha.
Alinhar a alma é colocá-la de volta no eixo dos dias. É quando o coração, que andava torto pelos tropeços da rotina, encontra o prumo. A alma deixa de ser uma espectadora distante e passa a participar ativamente da festa. Ela mastiga a experiência, saboreia o momento, brinda com o tempo.
Portanto, se a vida te servir um dia sem graça, não espere o garçom trocar o prato. Levante-se, ouse no tempero, chame o sorriso para a roda e lembre-se de que o banquete está servido. A alma agradece, faminta por viver.
Roberto Franklin Falcão da Costa é Vice-Presidente da Academia Ludovicense de Letras
Cadeira Nº 40
Patrono: José Ribamar S. dos Reis
Uma bela reflexão sobre a vida e a importância de saborear cada momento. Afinal, o banquete está servido — basta ter coragem para sentar à mesa e aproveitar!