
Hoje, durante minha caminhada pela Avenida Litorânea, senti que alguma coisa estava diferente. O sol nascia, a brisa soprava suavemente, corredores e ciclistas seguiam seu caminho, mas havia um vazio que eu não conseguia explicar.
Foi então que olhei para o mar.
A maré estava baixa. As águas haviam recuado, e as ondas chegavam pequenas, quase silenciosas. O oceano parecia descansar.
Naquele instante, percebi que eu também sou um pouco como o mar.
Há dias em que acordo cheio de energia, com disposição para caminhar, escrever e viver intensamente. Em outros, o corpo pesa, o entusiasmo demora a chegar e cada passo exige um pouco mais de vontade.
A idade nos ensina essa lição. Com o passar dos anos, perdemos um pouco do vigor da juventude, mas ganhamos serenidade, experiência e a certeza de que a verdadeira força não está na velocidade dos passos, e sim na decisão de continuar caminhando.
O mar não se entristece quando está na maré baixa. Ele sabe que, no tempo certo, as águas voltarão a subir. Nós também precisamos acreditar que dias de cansaço não definem quem somos.
Continuo calçando meus tênis todas as manhãs e seguindo em frente. Não apenas para fortalecer o corpo, mas para lembrar a mim mesmo que a vida é feita de marés. Algumas são de abundância, outras de recolhimento.
O importante é não parar.
Naquela manhã, agradeci ao mar pela silenciosa lição. Ajustei o ritmo da caminhada e segui meus quatro quilômetros, certo de que envelhecer é continuar avançando, mesmo quando a energia diminui.
Afinal, o mar também tem seus dias. E nós também.
Roberto Franklin Falcão da Costa
Cadeira Nº 40
Patrono: José Ribamar S. dos Reis