

Existem construções feitas de concreto, tijolos e janelas. E existem aquelas que, sem a gente perceber, vão sendo construídas dentro de nós.
O prédio onde estudei sempre foi muito mais do que uma escola. Para quem passava correndo pela rua, era só mais um prédio. Para mim, porém, era um mundo inteiro. Cada corredor guardava um encontro, cada sala escondia um sonho, cada escada levava não só a outro andar, mas a uma nova fase da vida.
Foi ali que aprendi as matérias da escola. Descobri fórmulas, datas, conceitos, regras de português e tanta coisa que faz parte da formação de qualquer estudante.
Mas, olhando para trás, percebo que os ensinamentos mais importantes nunca estiveram escritos no quadro.
Foi naquele prédio que aprendi o valor da amizade, o respeito às diferenças, a importância da disciplina, da persistência e da honestidade. Aprendi a vencer a timidez, a encarar desafios, a lidar com as derrotas e a comemorar as pequenas vitórias. Aprendi que esforço dá resultado e que nenhum sonho acontece sem dedicação.
Foi ali que comecei, sem nem perceber, a construir a pessoa que sou hoje.
Ainda consigo ouvir, na memória, o barulho dos passos pelos corredores, as conversas no intervalo, as risadas dos colegas, a ansiedade antes das provas, a alegria das comemorações e até o silêncio que vinha antes dos grandes desafios. São lembranças que o tempo não apagou. Pelo contrário, ficaram ainda mais valiosas com os anos.
Hoje recebo a notícia de que aquele prédio vai ganhar uma nova história. Ele será transformado em uma clínica-escola dos cursos da saúde da UNDB.
Confesso que bate uma saudade. É impossível não sentir nostalgia quando um lugar que marcou tanto a nossa vida muda de rumo. Mas, logo em seguida, entendo que essa mudança não significa um fim.
Significa continuidade.
Se antes aquele prédio formava crianças e jovens, agora vai ajudar a formar profissionais que cuidarão da vida, aliviarão o sofrimento e levarão esperança a milhares de pessoas. Ele continuará sendo um lugar onde o conhecimento transforma destinos. Só vai mudar a forma de cumprir sua missão.
E isso é bonito.
As paredes continuarão vendo sonhos de perto. Os corredores seguirão recebendo pessoas cheias de expectativa. Novas histórias vão nascer exatamente onde tantas outras foram vividas.
Talvez os novos alunos nunca imaginem quantas memórias existem ali. Não vão ouvir as vozes do passado, mas vão caminhar sobre um chão onde muitas gerações aprenderam não só conteúdos, mas valores que levam para a vida inteira.
Eu levo comigo a gratidão.
Gratidão ao prédio que me acolheu, aos professores que me inspiraram, aos colegas que dividiram tantos momentos e ao tempo que vivi ali. Porque, muito além das matérias da escola, foi naquele lugar que aprendi a ser gente, a sonhar, a acreditar em mim e a construir os alicerces da minha própria história.
Alguns edifícios envelhecem. Outros se reinventam.
Aquele prédio faz parte da segunda categoria. Vai mudar de aparência, de função e de pessoas. Mas nunca vai deixar de fazer o que sempre soube fazer tão bem: transformar vidas.
E a minha foi uma delas.
Roberto Franklin Falcão da Costa
Cadeira Nº 40
Patrono: José Ribamar S. dos Reis